Carta Contextualizada
12 de abril de 1861, Fort Sumter
Olá, querida Lavínia Carpenter.
Como estão todos por aí? Venho por meio desta entrar em contato para saber notícias sua e de papai. A saudade é grande e a cada dia que passa dói mais estar longe de vocês. Talvez essa carta nunca chegue, mas estou torcendo para que o mensageiro consiga ir até aí. Envio para relatar sobre o caos que estamos vivendo aqui por conta de toda essa guerra, aqui como deve imaginar as coisas andam muito conturbadas.
Bom, estou passando pela batalha de Gettysburg, na Pensilvânia e confesso que eu não esperava ficar tão assustado. Ela perdurou por 3 três dias, mas esses dias estavam me corroendo por dentro, inclusive nesse tempo 170 mil soldados se enfrentaram, com 50 mil mortes. A gente acabou vencendo, porque somos do povo da União e ganhamos dos Confederados por causa das forças bélicas, mas foi um trabalho e tanto. Nós não estávamos preparados, pois nunca que imaginamos ter que lutar por vidas negras, por extensão de território e principalmente pela abolição da escravatura. Vocês tinham que ver a ansiedade tomando conta de mim, eu era incapaz de ajudar meus companheiros pois eu tinha sérias crises. Era sangue para todo lado, corpo espalhado pelo chão, muitos soldados feridos e desaparecidos. Enfim, a própria catástrofe. De todas as guerras que já participei, nunca vi uma tão sangrenta quanto essa.
Espalhamos bandeiras da União por toda parte, gritamos, nos machucamos e nos perdemos várias vezes, mas nada se compara com a dor de perder um colega de trabalho que sempre esteve comigo quando eu mais precisei, que cuidou de mim quando eu me feri, que me deu conselhos e me fez refletir sobre quem era uma das pessoas mais essenciais da minha vida. Por mais que eu me perdesse em meus pensamentos refletindo sobre meus erros ele estava lá para me apoiar. Confesso que ainda me dói relembrar que tive que deixar ele partir, e ainda não aprendi a como reagir quando me vejo diante da morte.
Era desesperador o fato de só ter comidas cruas e enlatadas para comer, mas quando vivenciamos isso começamos a refletir e aprendemos a dar o devido valor pelas mínimas coisas. Voltando a falar da guerra, no último dia derrotamos muitos soldados, eu estava psicologicamente cansado porque havia muita coisa passando pela minha cabeça, além de estar preocupado com minha vida, estava pensando nas perdas que tive recentemente e pensando muito em vocês, nos momentos que tínhamos vivído juntos, nas datas comemorativas, nas surpresas inesperadas.
Enfim, tenho saudade da convivência que tínhamos, acabamos nos afastando por eu ter me mudado. Porém eu precisava fazer minha parte, que era defender o que eu acreditava. Por isso, estou enviando esta carta para contar brevemente como me sinto. E caso aconteça algo comigo lembrem-se, eu amo todos vocês. Fiz de tudo e mais um pouco por nós.
Atenciosamente, Vinicius Carpenter.
